domingo, 8 de novembro de 2009

Intersufociação


É bem mais a falta de fôlego que obstrui as minhas veias
e o amargo sabor do pânico preso em olhares indiferentes.
Eu diria insuportável, então, se não fosse o gosto pelo.
.
[Aquela familiar sensação sentimentomasoquista]
.
Nada tênue, o incômodo me percorre, sem pressa,
astuto e perspicaz, cheio de dentes ao me fitar sorri:
- Palavras, cara Joulie?
E num aceno de cabeça, o acordo está [re]feito.
Então, caminho como quem foge, mas sem ningém notar.
.
[Lá dentro as minhas artérias já queimam e borbulham]
.
Intersufociação acumulada.
Um dia passa ligeira? Um dia... Passa. Geira...
.
[Sabemos que não]
.
.
C.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Últimas notas




(...)

E a taça erguida aos céus estrelados
Banhava a noite de desvairo e reluta
Quando, num estrondo, morcegos voavam
E no chão o licor de sua vida encenada.

Sozinho, o céu seus olhos contemplavam
A bela dama de luz e destrezas
A última nota, solitária e surda
Daqueles anos perpletos de amor e loucura.

(...)
Ocultei o início e o fim. É assim que deve ser...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

quoti[di(a]no)

Já era tarde.
O gosto amargo na garganta e aquela familiar expressão indiferente tomava conta do ambiente, tornando-o inóspito para qualquer reação animadora. As feridas surgiam mais um dia. De dentro para fora, como sempre, cautelosas, sem pressa.
Um cigarro aceso na mesa para acelerar a morte.
Uma lágrima caída para regar a última dor.